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sexta-feira, 14 de março de 2014

BTL 2014 | Enoturismo e Vinho no Cartaz

A edição deste ano da BTL já abriu as suas portas ao público e até o próximo domingo, dia 16 de Março, é aproveitar para marcar as suas férias de sonho por um preço mais baixo e se possível até apanhar uma borla num dos muitos passatempos que vão surgindo nestes dias.

Contudo, a minha visita não teve esse objectivo. Todos já devem ter ouvido ou lido recentemente que o vinho ultrapassou o sol e o mar como maior atributo turístico de Portugal. Assim sendo, lá fui eu em mais uma demanda das minhas na procura do Enoturismo em Portugal. 

Num primeiro flash, a sensação com que fico é que esta edição da BTL de Lisboa tem mais promoção Enoturistica e ao vinho que as de anos anteriores. Os produtores habituais voltam a estar presentes, mas encontrei muitos pequenos produtores e muitas novidades principalmente em espaços dedicados às regiões que se querem mostrar também como produtoras de vinho e com condições para o Enoturismo.
Num segundo take, noto que ainda temos muito para fazer em relação à promoção correcta de um produto que toda a gente pensa que tem a razão absoluta sobre o que faz. 

Volto a repisar. Promover vinho em copos de plástico com formatos ridículos, não só é horrível como é a forma mais fácil de estragar o vinho. E não me venham com a história de não poderem utilizar copos de vidro no evento pois provei alguns vinhos por copos excelentes para a prova e outros traziam consigo alguns copos que disponibilizavam caso fosse necessário em alternativa aos de plástico.

Outra coisa, e isto é o que há de interessante em percorrer este tipo de feira em modo desconhecido, é a forma como alguns promotores, que pouco sabem de vinho, debitam palavras decoradas para a pessoas que vão provando o vinho. Felizmente cada vez são menos, mas ter de ouvir coisas como "(...)esse vinho é só com a casta Arinto. Seco, seco, o Arinto é sempre assim, seco como tudo e não há volta a dar(...)" confesso que não me deixa nada sorridente.

Mas cada vez temos melhores exemplos. Por isso, deixo-vos o repto. Visitem a BTL e procurem os pontos com Enoturismo. São uma excelente oportunidade de conhecer mais e melhor o tema Vinho e ao mesmo tempo... são férias.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Vinho a Copo - Ainda Um Longo Caminho

Em 1941 a SCC (Sociedade Central de Cervejas) criava em Portugal a Imperial, uma marca de luxo que ainda hoje é sinónimo de cerveja de barril servida a copo. Imperial ou Fino, como é mais conhecida no norte do País, a verdade é que este conceito de cerveja sempre teve junto a si alguns pontos que, em caso de falha, dá desde logo reclamação. O facto de vir num copo próprio e de ser servida a uma determinada temperatura. Se vier num copo de servir o galão, há reclamação e se vier à temperatura ambiente ou mesmo quente... há reclamação. Concordam? Quem é que já passou por isto e reclamou? Muitos...
Agora digam-me lá quantos de vocês já reclamaram ou recusaram um vinho por vir num copo incorrecto e à temperatura errada? Poucos...
Por outro lado temos o factor preço. Ainda há pouco tempo tive uma experiência que me diz muito das escolhas por esses restaurantes fora. Cerveja Preta, marca nacional, garrafa de 33cl, fresca, num copo adequado e serviço adequado: 2,50€; copo de vinho branco, marca nacional gama de entrada e cuja garrafa podemos encontrar num qualquer supermercado a 3,00€, copo adequado, cerca de 20cl, temperatura mais ou menos correcta: 4,90€. Como é possível??? 
Já não vou pelo serviço que continua a ser feita na maior parte de forma um pouco desleixada e pouco profissional, mas... será que é assim que queremos convencer o consumidor a escolher o vinho a copo?

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O consumidor de Vinho prefere a novidade ou a estabilidade?

Às vezes dou por mim a pensar um bocadinho. Eu sei. É melhor não fazer disso um hábito pois pode haver quem não goste. Mas a verdade é que às vezes lá aparecem aquelas interrogações, talvez devido à minha formação em Filosofia, e chega um momento que tenho de publicitar esses meus pensamentos.
A minha atenção vai desta vez para uma particularidade nos hábitos de consumo de vinho que, sem querer, tenho sido confrontado por diversas vezes.
Tenho observado ultimamente os hábitos do que chamarei normal consumidor de vinho, em contraposição a um tipo diferente de consumidor com o qual me identifico, e constato que uma grande parte desse número de consumidores de vinho quando encontra um vinho que gosta e a um preço que lhe agrada dificilmente muda num determinado período de tempo, tempo esse de média/longa duração.
Não é difícil ver aquele consumidor que até já sabe onde está a garrafinha que normalmente compra. Nem olha para as outras. A desviar o olhar só se para algum papel de cor berrante a indicar claramente PROMOÇÃO. Com o actual momento económico existe até o escudo da relação qualidade/preço que se levanta com muito mais rapidez que no passado. Se gosto e é barato porque haverei eu de mudar? - Ouço por vezes dizer.
Se estas minhas primeiras conclusões empíricas se confirmarem por mais alguns de vocês, isto quer dizer que toda a diversidade de vinho que existe em todo o mundo está na verdade apenas disponivel para alguns? Ou será que estou a generalizar demasiado?
Falando por mim, que estou sempre a querer conhecer vinhos novos e à procura de experiências novas, soa-me estranho ouvir certas frases de pleno conforto. Estou bem aqui por isso não arrisco. Daquele lado pode ser melhor, mas e se depois não é?
Compreendo assim que o trabalho de um novo produtor no mercado seja uma autêntica guerra. E quem diz o produtor diz a região produtora ou mesmo o tipo de vinho. - Eu só bebo tinto e do Douro. Branco é muito fraquinho, ácido ou o camandro de outra desculpa qualquer. Quem nunca ouviu dizer isto que ponha aqui um comentário. E as desculpas para os Rosé ainda são mais estapafúrdias. - Isso é restos do que não se vendeu de tintos e brancos, dizem alguns. Como gostamos de arranjar umas bruxas em tudo.
Quando encontro um vinho que me é desconhecido e que me agrada pergunto onde se vende. A resposta nesses casos prima sempre por uma delimitação de locais muito definida e às vezes ainda e só nas próprias adegas. Deixo o repto. Bora lá sair da zona de conforto e experimentar mais, viver mais o vinho e dar a oportunidade ao vinho para viver.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Vinho Artesanal?

A semana passada tive a oportunidade de provar um vinho ao qual posso chamar de artesanal ou também vinho do desenrasco. A ideia de que qualquer um pode fazer uns litros de vinho foi-me vendida num ápice. A receita parece ter sido simples. Cachos de uva já colhidos tardiamente, castas de uva branca e tinta sem a mínima noção de que tipo de castas estariam no lotes, pisa em recipientes plásticos de larga capacidade e estágio em barrica de pvc por cerca de 3 meses. Ufa, isto de fazer vinho parece obra simples. Até parecia pelo que fui ouvindo. A curiosidade de conhecer o resultado ia aumentando.
Dos presentes que já haviam provado e bebido esta colheita de 2011 a percepção era unânime. Um vinho pouco encorpado, boa cor, leve, com pouco álcool e que parecia um sumo de fruta com algum grau alcoólico. Um experiência engraçada a repetir, com melhores resultados, para o ano - disseram bem alto.
Vamos então a isso. Directos para a adega. Chegando lá.... medo! Engarrafado em garrafas de Martini??? Ui, que se me afunila a garganta. Copo com ele. Vamos a isso.
Cor semelhante a um rosé com tonalidades mais escuras, com algumas impurezas, pequenos flocos brancos, estranho, nem quis saber. Aromas químicos, cola, verniz, com intensidade suficiente para cobrir tudo o que pudesse haver ali de suminho de fruta. Nada. Só a bela da cola cristal. Boca também ela desequilibrada, com passagem dos químicos também na boca. Bah. Deixa-me cuspir isto antes que me faça mal. Esqueçam lá o PVC que isso matou o vinho por completo. Engano meu? Continuaram a bebe-lo como se não houvesse amanhã. "Assim é que ele é bom. Levezinho e com pouco álcool." Pois fiquem lá com ele.
É isto o que podemos chamar de vinho artesanal? Penso que não e espero bem que não se pense nisto como uma forma rústica de produzir o próprio vinho. Mas o facto é que há consumidores que o preferem ao vinho de venda. Será mesmo assim? ou apenas areia para os olhos?

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