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domingo, 31 de março de 2013

Quinta do Vale Meão | A Quinta e a História

Tarde de de 30 de Setembro de 2012. Numa visita organizada pela Quinta Wine Guide apenas para Bloggers e após alguns quilómetros a percorrer paisagens deslumbrantes, chegamos a um portão com História. Parámos e tivemos a olhar um pouco para a entrada antes de cada um querer tirar uma fotografia com a indicação de "Quinta do Valle do Meão - Antónia Adelaide Ferreira 1894". 
Para mim foi entrar pela História de Portugal a dentro, pela História desta região e pela História do Vinho. 

 
A História desta Quinta já tantas vezes contada, começa em 1877 quando D. Antónia Adelaide Ferreira, já proprietária do maior património agrícola do Douro, compra em hasta pública 300 hectares de terra virgem à câmara de VN de Foz Côa. Nesse tempo, como hoje vivia-se um período de crise económica em Portugal, e com esta compra a valores mais baixos, iniciou-se o sonho de construir a partir do nada uma exploração modelo, concretizando nela toda a vasta experiência acumulada ao longo da sua vida de empresária duriense. 

Este projecto ambicioso foi totalmente levado a cabo entre 1887 e 1895. Foi a última e mais significativa realização de D. Antónia Adelaide Ferreira, que no entanto pouco dela gozou, pois morreu pouco depois em 1896. Desde então a Quinta manteve-se sempre na posse dos seus descendentes. 
A partir dos anos 70 o seu trineto Francisco Javier de Olazabal assumiu a sua gestão e iniciou um longo processo de aquisição de partes indivisas dos seus familiares e comproprietários, e em 1994 tornou-se juntamente com seus filhos, único proprietário da Quinta. Até então as uvas da Quinta eram vendidas á empresa AA Ferreira S. A., fundada pelos descendentes de D. Antónia, e estavam na base de alguns dos seus melhores vinhos. Essa ligação continuou até 1998, ano em que Francisco Javier de Olazabal decidiu renunciar ao cargo de presidente de A. A., Ferreira S.A. para se dedicar juntamente com seu filho enólogo Francisco de Olazabal y Nicolau de Almeida, à produção, envelhecimento e comercialização dos vinhos da quinta, através da criação da sociedade F. Olazabal & Filhos, Lda. 

O nosso anfitrião e guia para este dia foi precisamente o enólogo Francisco de Olazabal y Nicolau de Almeida, ao qual agradeço pela enorme disponibilidade no tempo que tomou para nos guiar de fio a pavio pela Quinta, pela vinha, pela Adega nova, pelos vinhos e pela História.

Devo reforçar que foi uma visita que dificilmente poderei esquecer, não só por tudo o que envolve a Quinta do Vale Meão, mas também pela minha ligação familiar às terras que a circundam. O Pocinho e a sua outrora majestosa estação ferroviária, a Foz do Sabor com as suas delicias grastronómicas à base do peixe do rio e com vista priveligiada para os frondosos vinhedos da Quinta e toda uma paisagem maravilhosa que, embora alterada ao longo dos tempos, mantém todo o misticismo desta região.

A visita foi no final completa com uma prova de alguns monovarietais ainda não rotulados, pelas mais recentes novidades no mercado em termos de vinho de mesa e vinho do Porto e por uma vertical do vinho Meandro do Vale Meão, desde a sua primeira colheita de 1999 até à mais recente de 2010. Mas desta parte darei nota numa publicação apenas dedicada aos vinhos.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Visita à Quinta dos Malvedos

No passado dia 29 de Setembro de 2012, tive o prazer de, numa iniciativa do Quinta Wine Guide, fazer uma visita à famosa propriedade principal da Graham’s, a Quinta dos Malvedos. Neste inicio de ano em que o Douro aparece no Top 10 da WineEnthusiast como um dos destinos vinicos para 2013, a Quinta dos Malvedos, reconhecida como uma das mais belas propriedades do Douro Superior e, detentora da classificação máxima “A” atribuída pela entidade reguladora dos vinhos do Douro também pelos seus vinhedos, surge como excelente cartão de visita a esta magnifica região. 

A Quinta abrange as encostas escarpadas que assinalam a confluência dos rios Tua e Douro. A localização na margem norte das vinhas proporciona aos seus socalcos de vinhas uma orientação a Sul, que garante uma prolongada exposição à luz solar. Esta localização resulta num excelente amadurecimento das uvas durante a época da vindima, essencial para a produção de um Porto de primeira classe. O clima consistente nesta zona do vale reflecte-se na suprema qualidade dos vinhos produzidos. 

Os vinhos da Quinta dos Malvedos constituem a espinha dorsal dos famosos Porto Vintage da Graham’s em anos 'declarados'. Na maioria dos anos intermédios, os melhores vinhos da Quinta são engarrafados e comercializados como Quinta dos Malvedos Porto Vintage.

Neste dia foi possivel visitar a Quinta e confirmar a beleza já tantas vezes lida e ouvida de outros, passar pela adega da Quinta dos Malvedos que foi renovada para a vindima de 2000, com a instalação de três inovadores lagares “robóticos” da Graham’s e também os três lagares de granito originais onde ainda é efectuada a pisa a pé, bem como duas cubas com imersor de manta onde uma pá empurra suavemente a manta na direcção do mosto em fermentação. Os três métodos de vinificação disponíveis fazem desta adega a mais versátil do vale do Douro.

As vinhas cobrem cerca de 70 dos 108 hectares de área total da Quinta. Um importante programa de replantação foi implementado durante os anos 80 e a idade média das vinhas oscila agora entre 20 anos para os socalcos “modernos” e bem acima dos 45 anos para os socalcos murados mais antigos. Em 2005, foram replantados 8 hectares de vinhas velhas com Touriga Nacional, uma das melhores variedades para Vinhos do Porto e especialmente importante para os Vinhos do Porto Vintage.

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