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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Pinhal da Torre | Bloggers Day | Syrah à Prova

No passado dia 3 de Novembro de 2012 tivemos mais uma vez o prazer de visitar, a convite do produtor, a Pinhal da Torre em Alpiarça. Com o Paulo Saturnino Cunha como nosso anfitrião pudemos voltar a visitar uma adega bastante mais preenchida do que a última vez, perceber os progressos efectuados passado um ano e juntar-mo-nos à mesa para num ambiente perfeitamente informal aceitarmos o desafio preparado para este dia: uma prova de vinhos da casta Syrah.
Numa espécie de "mini-batalhas" foram sendo colocados Syrah lado a lado. Qual seria o que nos agradaria mais em cada "embate"? Qual seria o Syrah que no final do dia nos deixaria de boca aberta... ou bem fechada?
O primeiro par foi o seguinte:

Quinta do Alqueve Syrah 2001
Cor rubi concentrado, escuro, opaco, de aspecto límpido. Surpreendente a cor para um 2001. Aroma com boa intensidade, fruta madura, cacau bem proporcionado,  especiado, algum carvão e madeira bem ligada, subtil. Na boca impressionou-me pela frescura e pelo perfil elegante com que se apresenta. Tudo no sitio certo onze anos depois. Soberbo. Um final longo, pleno de frescura e de elegância.

Côte Rôtie 2001
Cor de um rubi de concentração média com sinais evidentes de evolução. Aromas já algo cansados, algo batidos pelo tempo. Notas de fruta madura, cacau e alguma especiaria, mas já em queda. Na boca apesar de o sentir um pouco melhor do que no nariz, falta-lhe já a frescura que outrora deverá ter tido. Apesar de tudo esperava mais de Francês.

O Veredicto: Quinta do Alqueve Syrah 2001 (sem dúvida)

E de seguida:

Quinta de S. João Syrah 2007
Cor rubi bastante concentrado, intenso e de aspecto límpido. No nariz, fechado de inicio, algo escondido, foi abrindo com o tempo, não muito, revelando fruta vermelha madura, notas delicadas a cacau, com boa especiaria e madeira em fundo. Na boca surge com suavidade, mantendo um perfil fresco e elegante. Mais recatado no momento da prova, mas sem dúvida a prometer muito. Final de boca longo.

Quinta de S. João Syrah 2008
Cor rubi de média concentração e de aspecto límpido. Uma cor bonita, cativante, não tão concentrada como os anteriores. Aromas a fruta madura, muito directo, e dentro do mesmo perfil do anterior. Começo a ter impressão que não vai ser fácil. Na boca surge macio, corpulento, alguma untuosidade, mais fruta madura, a mesma elegância. Final longo.

Torbreck Les Amis 2006
Cor rubi de intensidade média, cor cativante e aspecto límpido. Aromaticamente muito elegante, de uma finess elevada, fruta preta madura, algumas notas fumadas e algumas mais terrosas. Na boca surge gordo, corpulento, a encher a boca, com muita fruta, acidez fina e longo comprimento final. Principal nota de destaque para a delicadeza deste vinho.

O Veredicto: Quinta de S. João Syrah 2007 (aqui a escolha não foi tão directa. Entre os Quinta de S. João, o 2007 pareceu-me o que mais garantias me dava a longo prazo; por outro lado, o Torbreck encantou-se com a sua leveza e finura)

Passámos para a etapa seguinte com:

Quinta de S. João Syrah 2009
Cor rubi, média concentração, aspecto limpo. Aromas intensos a fruta vermelha e preta bem madura, ligeiro compotado, guloso, com notas bem medidas de cacau, alguma baunilha e especiaria, e uma madeira que se sente, mas que não se liga. Harmonia. Boca pujante de vida, impetuoso, grande fruta, frescura e acidez. Será de contar com este para muitos anos. Não o considero o melhor deste dia, mas será sem dúvida aquele que me parece terá o maior potencial.

Domaine Jamet Côte-Rôtie 2009
Cor rubi, com nuances violeta escuros, concentrado. Aromas intensos a fruta vermelha madura, fruta silvestre e de árvore preta, alguma redução, presença de fumados e novamente o perfil terroso. Na boca surpreende com frescura, boa fruta, acidez equilibrada, com final de boca com notas vegetais subtis. Final longo.

O Veredicto: Quinta de S. João Syrah 2009 (influenciado pelo que espero dele no futuro e tendo em conta um perfil mais "doce" do Jamet)

Seguimos então a prova com mais três vinhos que continuaram a surpreender pela positiva. Não será demais relembrar que este é um produtor de uma região menos amada pelo consumidor, mas que a cada dia que passa mais convicto fico de que será um dos Grandes Produtores de vinho em Portugal

2 Worlds 2009 Reserva
Cor rubi, concentrado, nuances violetas no bordo do copo e aspecto límpido. Nariz exuberante, muita fruta vermelha madura, notas vegetais bem ligadas e toque especiado a compor.  Boca macia, redondinho, com continuidade da fruta vermelha madura, equilibrado e de final longo e elegante.

2 Worlds 2009 Premium
Cor rubi escura, concentrado, opaco, direi mesmo retinta. Aspecto límpido e sólido. Aromas intensos a fruta vermelha e preta madura, notas de redução bem ligadas com a madeira. Na boca está um portento, mastigável, gordo, com uma fruta deliciosa, apetece começar a trincar. Algo cru, mas que já encanta e com mais uns anos de garrafa será sem dúvida a não perder.

Alqueve 2009
O SE surge em pézinhos de lã, mas, no final acaba por conquistar os presentes. Cor rubi, directa e de aspecto límpido. Aromas perfumados, fruta silvestre madura, toque a compota, licor e redução, tudo a puxar pela nossa curiosidade, complexo e cativante. Na boca mostra equilibrio, estrutura, fruta bem doseada, de grande delicadeza e elegência. Um final persistente, fresco e elegante.

Todos este vinhos acompanharam depois à mesa uma sopa de pedra "fabulástica" e provaram serem também excelentes escolhas para fazer companhia a este prato tão tradicional. A ligação do bom vinho, boa  gastronomia e boa companhia fazem momentos como o deste dia.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Pinhal da Torre: Visita à Quinta de São João

No passado dia 19 de Novembro, a convite do produtor Paulo Saturnino Cunha, tive o prazer de fazer parte do grupo que visitou a Quinta de São João, em Alpiarça. No centro do Ribatejo, localizam-se as duas quintas da Pinhal da Torre: a Quinta de São João com 22 hectares e a Quinta do Alqueve, com uma ocupação de 36 hectares. Na Quinta de São João é concentrada toda a produção de vinhos numa adega histórica que, construída em 1947, é referência em toda a região. A Filosofia desta casa prima pela alta qualidade e forte personalidade dos seus vinhos, algo que está bem patente nas três palavras que nos podem acompanhar numa visita ao site da Pinhal da Torre: Pureza, Elegância e Personalidade. 
 
 
Fomos recebidos e acompanhados pelo próprio Paulo Saturnino Cunha que nos guião numa viagem comentada por todo o complexo. Desde os antigos e únicos lagares dispostos logo à entrada, passando pelo mais modernos de inox, pela área de engarrafamento, rotulagem e aprovisionamento, descendo à adega está actualmente em fase de remodelação pelo renomado arquitecto Isay Weinfeld, que irá transformar o espaço numa adega singular, que incluirá também um restaurante e uma loja de vinhos.
 
 Fomos de seguida para a zona de provas, onde começamos pelos actualmente disponíveis no mercado até uma prova dos que aí vêm do ano de 2009 já com o dedo do Enólogo Russell Burns.

Quinta do Alqueve Fernão Pires 2010 (Branco): Cor citrina pálida, brilhante, e de aspecto límpido. Aromas intensos a fruta exótica como do ananás e o citrino da lima, muito directo e fresco. Boca com acidez refrescante, meio seco, com continuidade da fruta revelada no nariz. Boa persistencia e elegante.
85/100

Quinta do Alqueve Chardonnay 2010 (Branco): Cor citrina, clara e cativante. Aromas a fruta citrina, algum alperce e demais fruta doce, sem madeira, muito limpo. Boca com frescura, com acidez em bom nível, com presença da fruta, equilibrado e persistência final de média duração
80/100

2 Worlds 2010 (Branco): Um branco já com passagem por madeira, de cor citrina, límpido e revelando ligeiros esverdeados. Aromas mais discretos a fruta tropical, leves fumados e maior complexidade que os anteriores. Boca com alguma untuosidade, mais cheio, mantendo todavia uma frescura muito interessante. Final de boca longo, persistente e marcante.
86/100  

Quinta do Alqueve Reserva 2008 (Tinto): Apresenta cor rubi, com ligeiros violetas no bordo do copo. Aromas com muita fruta madura, revelando frescura, ligeiros fumados, jovem mas já com alguma complexidade e equlibrio. Boca gulosa, cheio, revelando fruta limpa e com valor gastronómico. O primeiro tinto subiu desde logo a expectativa para os seguintes.
88/100 

Quinta de São João 2008 (Tinto): Dentro do mesmo segmento que o anterior, com um rubi mais fechado e concentrado, denotando uns violetas mais carregados. Aromas igualmente com muita fruta, fumados, algum chocolate e boca também muito prazeirosa, com boa fruta, frescura e equilíbrio. Final de média duração.
88/100

Quinta do Alqueve Touriga Nacional 2008 (Tinto): A Touriga Nacional aparece aqui muito bem representada. Cor rubi, correcta, límpida e atraente. Aromas a fruta vermelha e preta madura, notas florais e especiadas, perfume muito delicado. Na boca revela-se muito frutado, limpo, com boca larga, muito equilibrado e seguro. Boca persistente e com frescura. 
89/100 

Quinta do Alqueve Touriga Nacional / Syrah 2008 (Tinto): O casamento com a Syrah apenas veio melhorar o conjunto. A cor rubi avermelhado muito límpida serve como primeiro chamamento. No nariz a intensidade da fruta, bem mesclado com ligeiro vegetal, delicioso terroso, tudo muito bem trabalhado e composto finalizado de forma elegante e comprida.
90/100 

Quinta de São João Syrah 2008 (Tinto): O último dos rotulados foi para mim uma surpresa pela positiva. Que vinho. uma boca farta, cheia, com a fruta no ponto certo, o nível de acidez perfeito e revelando-e muito fresco. Ainda não está perfeito mas esperem mais um ano ou depois e depois convidem-me para um copo... ou dois.
92/100 

Quinta do Alqueve Touriga Nacional 2009 (Tinto): Wow... This isn't bottled yet? Apesar de apenas referir a casta Touriga Nacional este conta com uma mínima percentagem de Merlot. Este é sem dúvida um degrau acima do seu irmão de 2008. Intenso aromaticamnete. Mais harmonioso e mais elegante. E apenas prova de barrica.
 90/100

Quinta de São João Syrah 2009 (Tinto): Alta qualidade. Um primeiro impacto com algum vegetal, demonstrando muita força, pujante e intenso. A fruta de qualidade está presente na dose certa, com muita frescura, muito equilíbrio e duradouro. Será mais um a ter de contar à mesa, com boa gastronomia e com a certeza de que mais uns anos em garrafa apenas lhe irão fazer bem.
91/100 

Quinta de São João Grande Reserva 2009 (Tinto): Este deixou-me de boca aberta, ou melhor, bem fechada para aproveitar cada gota deste delicioso néctar. Composto por um blend de Syrah, Touriga Nacional e Merlot, o resultado é um vinho com uma estrutura acima da média, muito equilibrado e com uma frescura enorme. Como se nota o tal dedinho de Russell.
93/100 

Special 2009 (Tinto): Se o anterior classifiquei com sendo um vinho de 5 estrelas, aqui perdi-me complemente. Mais uma vez a Syrah, a Touriga Nacional e a Merlot (em barricas novas) a mostrarem um potencial de outro mundo nas mãos deste enólogo. Que vivacidade, elegância e frescura extraordinárias. Que nos reservará esta amostra de barrica com algum tempo de descanso em garrafa? Sem dúvida um dos grandes vinhos desta casa.
94/100

Final da prova de vinhos, inicio do repasto gastronómico constituído pelo saboroso porco no espeto acompanhado por muito boa conversa e claro, vinhos da Pinhal da Torre.

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