sábado, 21 de abril de 2012

Peixe em Lisboa 2012

O evento Peixe em Lisboa, que termina já amanhã, brindou-nos mais uma vez com 11 dias seguidos de bons momentos gastronómicos. A gastronomia continua a ser para mim o ponto de atracção de um certame que conta também com outras pontos quentes, tais como, o vinho e o mercado gourmet.
São 40 chefes de cozinha; 10 restaurantes em funcionamento permanente, das 12h às 24h, com degustação de peixe e mariscos; apresentações de Cozinha ao Vivo com conceituados chefes a trabalhar em Portugal e com convidados internacionais de Espanha, França, Itália e Brasil; aulas de cozinha diárias onde é possível aprender receitas, truques e dicas e aos sábados com sessões especiais para crianças; debates, tertúlias e análise de temas sobre gastronomia, peixe e alimentação saudável;  concursos, provas comentadas e harmonizações enogastronómicas; e cerca de 500 produtos para prova e aquisição no Mercado Gourmet. 
Depois de lá ter passado alguns dias, e até porque podemos já começar a tirar algumas conclusões, vou em primeiro lugar passar o lápis pelo que acho que não correu assim tão bem.
E para mim o ponto mais negro continua a ser o estacionamento. Tal como diz o Hugo Mendes na seu Blog é incrível como um evento que ao longo dos anos tem vindo a crescer no número de visitantes continue a não ter ninguém a pensar neste problema. E pelo que tenho lido e ouvido não foi só para os visitantes que estacionar foi uma dor de cabeça ou de carteira, também os próprios expositores tiveram esse problema. Meus senhores, pensem lá numa alternativa para o ano sff.
A segunda atenção vai para o espaço de restauração. Mais uma vez aqui a experiência deveria ter ditado leis. Quinto ano e decidimos reduzir um pouco o espaço em relação ao ano passado. Aos jantares, das 19:00 às 20:00 ainda se conseguia desfrutar ao máximo do espaço e do prazer que alguns pratos proporcionavam, todavia, a partir dessa hora era uma autentica guerra para se arranjar um espacinho para comer a bucha.
Por último, e porque não quero referir o preço do evento, aponto o que decidi descrever como falta de oportunidade e capacidade de comunicar de alguns dos expositores presentes. O que mais me doí é ver que alguns ainda não conseguem fazer uma comunicação do produto que representam como seria de esperar. Será falta de experiência, falta de tacto ou falta de interesse pelo evento, mas foi evidente que nem todos aproveitaram o momento no potencial máximo que ele tinha.
Mas o Peixe em Lisboa teve muito mais pontos positivos do que negativos. O carisma do local transmite ao evento algo mais do que propriamente a gastronomia. Todas a simpatia e disponibilidade dos expositores faz com que qualquer visitante se sinta em casa e se sinta convidado no espaço. A proximidade de alguns Chefs que apenas se está habituado a ver na TV ou a ler nos livros da especialidade proporciona momentos de uma espécie de intimidade que talvez muitos não estariam à espera. A grande oportunidade de provar pequenas delicias de cada um dos restaurantes presentes é sem dúvida um cartão de visita que proporcionará novos clientes para todos eles. 
Ainda não visitaram? Amanhã têm a última oportunidade. Depois passem por aqui e digam de vossa justiça pois todos juntos podemos começar já a pensar como poderia ser a edição de 2013.
Veja mais fotografias na página de facebook.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Quinta do Infantado 2009

Características
Tipo: Vinho Tinto
Castas: Vinhas Velhas
Região: Douro
Teor Alcoólico: 14%
Produtor: Quinta do Infantado, Vinhos do Produtor, Lda
Preço: 10€ vap

Nota de Prova
Uma compra feliz, para um momento feliz. Uma compra acertada, para um almoço que tudo teve para dar certo. Este vinho correspondeu e superou as expectativas. Apresenta uma cor retinta, opaca, muito concentrado e com lágrima de aspecto persistente. Bordos com ligeiros violetas escuros.Aromas com muita fruta madura, já compota, ameixa preta, cereja, perfil licoroso, com boa madeira, bom trabalho na madeira, algumas notas de cacau em fundo. Na boca revela-se ainda jovem, em crescimento, mas já com boa estrutura, já com maciez e corpulência. Muita fruta e muita força. Um final com boa extensão e a provocar alguma gulodice. É comprar outras para ir abrindo ao longo dos anos pois de certo que com algum repouso ainda nos surpreenderá mais um pouco.

Classificação: 88/100

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Periquita Reserva 2009

Características
Tipo: Vinho Tinto
Castas: Castelão, Touriga Nacional e Touriga Franca
Região: Península de Setúbal
Teor Alcoólico: 13%
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos, SA
Preço: 7,99€ vap

Agradecimento
Uma palavra de agradecimento à José Maria da Fonseca pela atenção demonstrada para com o Blog Comer, Beber e Lazer na oferta para prova desta garrafa.

Nota de Prova
O Periquita Reserva 2009 revela-se na linha dos seus antecessores demonstrando que o casamento perfeito do blend Castelão, Touriga Nacional e Touriga Franca continua a dar bons filhos. De cor rubi intenso, média concentração, leves violetas nos bordos do copo, límpido com lágrima de aspecto definido. Enamora-nos no primeiro toque com os seus intensos aromas a fruta preta bem madura, amoras silvestres e alguma ameixa preta. Bom toque de figo maduro, um equilibrado licoroso e notas especiadas. Cresce à medida que o tentamos conhecer. Bravo! Na boca continua de perfil frutado, tanino suave, macio, adentra em pezinhos de lã, muito equilibrado e fresco. Sem dúvida que me agrada. Tem um final médio longo guloso, a pedir mais um copo.

Classificação: 91/100

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Vinho Artesanal?

A semana passada tive a oportunidade de provar um vinho ao qual posso chamar de artesanal ou também vinho do desenrasco. A ideia de que qualquer um pode fazer uns litros de vinho foi-me vendida num ápice. A receita parece ter sido simples. Cachos de uva já colhidos tardiamente, castas de uva branca e tinta sem a mínima noção de que tipo de castas estariam no lotes, pisa em recipientes plásticos de larga capacidade e estágio em barrica de pvc por cerca de 3 meses. Ufa, isto de fazer vinho parece obra simples. Até parecia pelo que fui ouvindo. A curiosidade de conhecer o resultado ia aumentando.
Dos presentes que já haviam provado e bebido esta colheita de 2011 a percepção era unânime. Um vinho pouco encorpado, boa cor, leve, com pouco álcool e que parecia um sumo de fruta com algum grau alcoólico. Um experiência engraçada a repetir, com melhores resultados, para o ano - disseram bem alto.
Vamos então a isso. Directos para a adega. Chegando lá.... medo! Engarrafado em garrafas de Martini??? Ui, que se me afunila a garganta. Copo com ele. Vamos a isso.
Cor semelhante a um rosé com tonalidades mais escuras, com algumas impurezas, pequenos flocos brancos, estranho, nem quis saber. Aromas químicos, cola, verniz, com intensidade suficiente para cobrir tudo o que pudesse haver ali de suminho de fruta. Nada. Só a bela da cola cristal. Boca também ela desequilibrada, com passagem dos químicos também na boca. Bah. Deixa-me cuspir isto antes que me faça mal. Esqueçam lá o PVC que isso matou o vinho por completo. Engano meu? Continuaram a bebe-lo como se não houvesse amanhã. "Assim é que ele é bom. Levezinho e com pouco álcool." Pois fiquem lá com ele.
É isto o que podemos chamar de vinho artesanal? Penso que não e espero bem que não se pense nisto como uma forma rústica de produzir o próprio vinho. Mas o facto é que há consumidores que o preferem ao vinho de venda. Será mesmo assim? ou apenas areia para os olhos?

terça-feira, 10 de abril de 2012

Quinta de Camarate Branco Seco 2011

Características
Tipo: Vinho Branco
Castas: Verdelho e Alvarinho
Região: Península de Setúbal
Teor Alcoólico: 12,5%
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos, SA
Preço: 9,49€ vap

Agradecimento
Uma palavra de agradecimento à José Maria da Fonseca pela atenção demonstrada para com o Blog Comer, Beber e Lazer na oferta para prova desta garrafa.

Nota de Prova
Este branco fez companhia a um arroz de marisco e portou-se como Rei. Gosto dos brancos assim. Prontos a acompanhar uma refeição. Toda a refeição. E não serem intimidados por esta. Um bela surpresa que com o calor que se adivinha será com certeza companhia para outras situações vindouras.
Cor amarelo palha seca, clara, algo pálida. Límpido e de aspecto fresco. Aromas com os frutados da casta Alvarinho, o maracujá, o alperce, aquela sensação de banana madura, muito tropical, com casamento excelente com os predicados da Verdelho, mais lima e mais vegetal. No ponto. Boca onde se realça a boa acidez, a persistência da fruta e a frescura fina a contribuir para um bom toque de elegância.

Classificação: 90/100

terça-feira, 3 de abril de 2012

Ortigão Bruto 2009

Características
Tipo: Espumante
Castas: Arinto, Bical, Chardonnay
Região: Bairrada
Teor Alcoólico: 12%
Produtor: Quinta do Ortigão Soc. Agro Turística, Lda
Preço: 4,95 € vap

Nota de Prova
Espumante simpático, de cor amarelo claro, pálido, citrino, quase transparente.Bolha fina de persistência média com aromas muito frutados e predominando a maça verde. Na boca continuação do perfil frutado, com maça verde e citrino em disputa, revelando muita frescura e um equilíbrio muito agradável. O final é curto, como se quer, pronto para inicio de refeição.

Classificação: 78/100

segunda-feira, 2 de abril de 2012

M Fortificado 2010

Características
Tipo: Licoroso
Castas: Touriga Nacional e Sousão
Região: Alentejo
Teor Alcoólico: 19%
Produtor: Henrique José de la Puente Sancho Uva
Preço: 19 € vap

Agradecimento
Uma palavra de agradecimento à Herdade da Mingorra pela atenção demonstrada para com o Blog Comer, Beber e Lazer na oferta para prova desta garrafa.

Nota de Prova

Mais uma muito agradável criação de Henrique Uva para ocupar lugar de destaque na sua colecção de vinha na linha gourmet M. Look dentro do já bem conhecido M Late Harvest, desta vez numa garrafa de 500 ml, com a cor do licoroso a gerar um impacto visual estrondoso.
Apresenta matizes de violeta profundos, concentrado, aspecto jovem, lembrando amoras silvestres maceradas. No nariz a exuberância dos frutos vermelhos e pretos bem maduros, muita fruta silvestre doce, floral, exigindo-nos disciplina na prova. Palato um vinho com corpo, untuoso ao toque, com boa frescura da fruta, boa acidez, toque especiado muito interessante.
Está aí a Páscoa. Aproveite para o harmonizar com os chocolates tão típicos desta quadra. O difícil vai ser beber só um cálice.

Classificação: 91/100

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