sexta-feira, 11 de maio de 2012

O consumidor de Vinho prefere a novidade ou a estabilidade?

Às vezes dou por mim a pensar um bocadinho. Eu sei. É melhor não fazer disso um hábito pois pode haver quem não goste. Mas a verdade é que às vezes lá aparecem aquelas interrogações, talvez devido à minha formação em Filosofia, e chega um momento que tenho de publicitar esses meus pensamentos.
A minha atenção vai desta vez para uma particularidade nos hábitos de consumo de vinho que, sem querer, tenho sido confrontado por diversas vezes.
Tenho observado ultimamente os hábitos do que chamarei normal consumidor de vinho, em contraposição a um tipo diferente de consumidor com o qual me identifico, e constato que uma grande parte desse número de consumidores de vinho quando encontra um vinho que gosta e a um preço que lhe agrada dificilmente muda num determinado período de tempo, tempo esse de média/longa duração.
Não é difícil ver aquele consumidor que até já sabe onde está a garrafinha que normalmente compra. Nem olha para as outras. A desviar o olhar só se para algum papel de cor berrante a indicar claramente PROMOÇÃO. Com o actual momento económico existe até o escudo da relação qualidade/preço que se levanta com muito mais rapidez que no passado. Se gosto e é barato porque haverei eu de mudar? - Ouço por vezes dizer.
Se estas minhas primeiras conclusões empíricas se confirmarem por mais alguns de vocês, isto quer dizer que toda a diversidade de vinho que existe em todo o mundo está na verdade apenas disponivel para alguns? Ou será que estou a generalizar demasiado?
Falando por mim, que estou sempre a querer conhecer vinhos novos e à procura de experiências novas, soa-me estranho ouvir certas frases de pleno conforto. Estou bem aqui por isso não arrisco. Daquele lado pode ser melhor, mas e se depois não é?
Compreendo assim que o trabalho de um novo produtor no mercado seja uma autêntica guerra. E quem diz o produtor diz a região produtora ou mesmo o tipo de vinho. - Eu só bebo tinto e do Douro. Branco é muito fraquinho, ácido ou o camandro de outra desculpa qualquer. Quem nunca ouviu dizer isto que ponha aqui um comentário. E as desculpas para os Rosé ainda são mais estapafúrdias. - Isso é restos do que não se vendeu de tintos e brancos, dizem alguns. Como gostamos de arranjar umas bruxas em tudo.
Quando encontro um vinho que me é desconhecido e que me agrada pergunto onde se vende. A resposta nesses casos prima sempre por uma delimitação de locais muito definida e às vezes ainda e só nas próprias adegas. Deixo o repto. Bora lá sair da zona de conforto e experimentar mais, viver mais o vinho e dar a oportunidade ao vinho para viver.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Harmonias ComProvadas: Bacalhau Com Presunto

A vigésima sexta prova do projecto Harmonias ComProvadas avaliou a harmonização entre vinhos nacionais e Bacalhau Com Presunto. Esta prova realizou-se no dia 2 de Maio novamente no templo do bacalhau, ou seja, A Casa do Bacalhau, em Lisboa.
 
Mais uma vez a Alexandra Maciel brindou aos presentes com uma noite inesquecível naquela que também foi a sua noite. Parabéns. O projecto ganha força e ganha também novos intervenientes.
Neste, para além do já habituais agradecimentos, ficam alguns particulares ao João Bandeira, ao Rui Henriques e a toda a equipa d' A Casa do Bacalhau por terem acolhido esta mega-prova com 72 jurados e 15 vinhos que terminou já para lá das duas horas da manhã. Muita paciência tiveram eles.
Também à Riberalves pelas condições especiais no fornecimento dos excelentes lombos de bacalhau, ao Joaquim Arnaud pela oferta do presunto de porco preto alentejano biológico e à Casa Anadia que ofereceu que ofereceu o elegante azeite que temperou este prato tão português. 
Ao Carlos Braz Lopes pela oferta d' O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo e ao Alexandrino Amorim, administrador das Caves São Domingos pela oferta de espumante São Domingos Extra Bruto para a celebração do 40º aniversário da Alexandra Maciel que coincidiu com o dia da realização desta prova e que por este motivo se transformou numa mega-prova.
Fica também um agradecimento especial ao Dirk Niepoort que ofereceu e engarrafou um Porto de 1972 propositadamente para esta ocasião.

Os vinhos que, de acordo com os 72 jurados desta prova, melhor acompanharam o Bacalhau Com Presunto foram:

1º - Pôpa VV 2008
2º - Herdade do Portocarro 2008
3º - São Domingos Reserva Tinto 2008

Grande ano este de 2008! 

Júri e equipa da prova de harmonização entre o Bacalhau com Presunto e vinhos portugueses no restaurante A Casa do Bacalhau:

Alexandra Prado Coelho, jornalista do jornal Público e autora do blogue Mais Olhos que Barriga; Alexandre Bezerra, proprietário da empresa de enoturismo “Have a Wine Day Private Tour” e autor do blogue Portugal Legal;
Alexandre Pascoal, director do Teatro Micaelense;
Alexandrino Amorim, administrador das Caves São Domingos;
Alison Roberts, jornalista britânica free lance com colaborações no Guia Time Out Portugal para UK e no Guia Fodor's Portugal para USA;
Ana Maria Gouveia, engenheira agrónoma;
André Gomes Pereira, administrador da Quinta do Montalto;
António Falcão, jornalista de vinhos;
António Mendes Nunes, jornalista de vinhos;
Artur Silva, consultor imobiliário,
Assunção Falorca, directora financeira;
Bruno Portela, fotógrafo;
Carla Reis,autora do blogue Copo de Salto Alto;
Carlos Braz Lopes, autor e proprietário d’ O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo;
Carlos Janeiro, autor do blogue Comer Beber e Lazer;
Daniel Matos, co-autor do projecto Desafios da Adega;
Daniel Oliveira, comentador político;
David Ferreira, editor de música gravada;
Eduardo Miragaia, jornalista e editor da Epicur;
Ema Martins, autora e editora do sítio/blogue Magna Casta;
Fátima Lopes, estilista;
Fernando Alvim, radialista, humorista e cronista;
Francisco Leong, fotógrafo;
Gabriela Marques, chefe de sala no Corinthia Hotel Lisboa;
Gonçalo Zagalo Pereira, investigador em filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e na State University of New York;
Helena Ales Pereira, editora da Lux Woman;
Helena Laymé, técnica superior de marketing no ISEG;
Henrique Cayatte, designer;
Isabel Lucas, jornalista;
Jessica Duarte, gestora de projectos turísticos;
João Bandeira, proprietário dos restaurantes A Casa do Bacalhau, Via Graça e Comidas de Santiago;
João Duque, economista, comentador, cronista e Presidente do ISEG;
João Paulo Velez, director na agência de comunicação LPM;
Jorge Nunes, autor do blogue jojojoli e co-autor do sítio na internet desafiosdaadega.com;
Jorge Simão, fotógrafo;
José Augusto Moreira, jornalista do jornal Público;
José Manuel Moroso, jornalista e crítico de vinhos do semanário Sol;
José Mota Capitão, Herdade do Portocarro;
José Miguel Dentinho, revista Exame;
José Nuno Martins, radialista e director do jornal O Benfica;
Luís Costa Guimarães, engenheiro químico e gastrónomo;
Luís Filipe Gomes, investigador em marketing na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universade Nova de Lisboa e na University of Texas em Austin, EUA;
Luís Miguel Viana, consultor de comunicação;
Luís Vasconcelos, fotojornalista;
Manuel João Vieira, músico e humorista;
Manuel Ribeirinho, empresário;
Maria Flor Pedroso, editora de política da Antena 1;
Maria José Lobo Antunes, antropóloga;
Mário Santos, músico;
Marta Moreira, estudante de Gestão;
Miguel Palma, director comercial da Herdade da Comporta;
Miguel Rangel, assessor do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares;
Nuno Costa Santos, cronista do suplemento Tentações da revista Sábado;
Nuno Gonçalo Monteiro, autor e editor do sítio/blogue Magna Casta;
Patrícia Maia, editora do portal Boas Notícias;
Pedro Duarte Monteiro, Engº civil e administrador da Sociedade Agrícola Quinta Vale de Fornos S.A.;
Raul Cruz, empregado de restauração;
Ricardo Moraes, escanção do restaurante Bocca;
Ricardo Sá Fernandes, advogado;
Rodrigo Martinho, escanção do IBO;
Rosa Martins, jurista;
Sérgio Antunes, escanção;
Sérgio Leitão, director nacional de compras da Food Care;
Simone Arzeni, engenheiro agrónomo e consultor internacional para o desenvolvimento;
Tânia Ventura, empresária;
Tereza Palma, engenheira civil;
Teresa Vivas, directora geral da Chef’s Agency;
Tiago Machado, enólogo;
Vanessa Gonçalves, escanção;
Vasco Neiva Correia, gestor na DFJ Vinhos;
Vasco Pires, gestor da VDS Vinhos na região de Lisboa e Sul do Tejo;
Vicente Jorge Silva, cronista, comentador e cineasta.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Quinta do Quetzal Reserva 2008

Características
Tipo: Vinho Tinto
Castas: Syrah, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet
Região: Alentejo
Teor Alcoólico: 14%
Produtor: Quinta do Quetzal- Sociedade Agrícola, Lda
Preço: 15€ vap

Agradecimento
Uma palavra de agradecimento à Quinta do Quetzal pela atenção demonstrada para com o Blog Comer, Beber e Lazer na oferta para prova desta garrafa.

Nota de Prova
Vinho premiado com medalha de ouro pela Mundus Vini 2011 e Vinalies 2011, com os respectivos autocolantes na garrafa como que a condicionar a prova que vamos fazer. Tentei passar ao lado e nem olhar para a garrafa.
No copo estamos na presença de um tinto de cor intensa, concentrada, com bonitos violetas escuros nos bordos que nos atiça o olhar. Nariz onde não consegui fugir muito dos frutos silvestres e do bosque negros sempre acompanhados de bastante madeira. Tostados e especiarias com bastante marca. Percebe-se a boa madeira, mas um pouco em excesso. Na boca um ligeiro toque acetinado, taninos suaves, polidos com estrutura e com capacidade para nos surpreender daqui a uns anos. Continuamos a ter a presença das notas derivadas da madeira, mas com muito mais equilíbrio. O Final é persistente, longo e delicioso. Vou ter de arranjar maneira de o provar daqui a mais uns anos.

Classificação: 87/100

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Casa d'Arrochella Grandes Quintas

Denominação: DOP TRÁS-OS-MONTES
Variedades de Azeitona: Verdeal, Madural e Cordovil
Acidez: < 0,2º
Produtor: Sociedade Agricola Casa D'Arrochella
Garrafa: 500ml
Preço: 6,5€

Agradecimento à Casa d'Arrochella pela atenção demonstrada para com o Blog Comer, Beber e Lazer na oferta para prova deste produto.

Prova
Desde à muito tempo que provo azeites, o meu Pai continua a produzi-lo para consumo familiar, mas sempre gostei de o provar naqueles copinhos escuros e do aroma do lagar. Já não gostava tanto de ir à azeitona. O inverno em Trás-os-Montes é rispido e a antiga apanha deixava-me as mãos com uma cor desgraçada durante muito tempo.
A Casa d'Arrochella ofertou-me com este exemplar para prova e resolvi recordar bons momentos.
Conforme fotografia, este azeite virgem extra apresenta uma cor esverdeada, limpa e pouco concentrada. Aroma com boa intensidade do frutado da azeitona, com frescura, alguma maça verde e ligeira casca de amêndoa. Sente-se a presença do verde da erva acabada de cortar. Na boca é suave e harmonioso, ligeiro picante atrevido por entre a azeitona verde. Persistente na boca sem a marcar em demasia.

domingo, 6 de maio de 2012

Casa de Santa Vitória Licoroso

Características
Tipo: Licoroso
Castas: Touriga Nacional e Aragonez
Região: Alentejo
Teor Alcoólico: 18,5%
Produtor: Casa de Santa Vitória
Preço: 9€ vap

Nota de Prova
Este tipo de licoroso do Alentejo começa a surgir com cada vez mais insistência nas prateleiras das nossas garrafeiras como que a informar e a reclamar que o Alentejo também é capaz de produzir licorosos tintos de boa qualidade.Nos últimos tempos assim tem sido e, verdade seja dita, tenho provado alguns que me agradaram bastante. Neste momento a questão que me assalta mais acerca deste tipo de licorosos é o facto de nos serem apresentados quase sempre como um produto gourmet e em garrafinhas muito pequenas. Mas isto será para outro momento.
Cor vermelho tijolado, alaranjados escuros, límpido e lágrima de aspecto persistente. Aromas intensos com fruta seca e passa predominantes, a ameixa preta, a noz e a casca da laranja cristalizada. Algum cacau e especiarias em fundo muito interessante. Na boca mostra-se maduro, untuoso, boa acidez e um final de boca fresco.

Classificação: 82/100

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Fita Azul Woman

Características
Tipo: Espumante
Castas: Moscatel
Teor Alcoólico: 12%
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges, SA
Preço: 5,50€ vap

Nota de Prova
Já anteriormente havia provado este Espumante. Condições diferentes e num momento que o exigia resolver fazer dele a minha escolha. Não me desiludiu.
A sua cor amarela palha, muito límpido e a bolha fina e persistente confirmaram-se também agora. A mousse que se forma na boca é algo doce, mas era assim que o esperava. A casta Moscatel sente-se também nos aromas mais florais, boa intensidade e complexidade. Na boca é muito suave, doce e fresco ao mesmo tempo. Não é o tipo de espumante que mais gosto. Gosto dele mais seco e com o mínimo de doçura. Mas este serve e bem o propósito para o qual foi feita e, sendo assim, não o podemos colocar de lado.
O dia da Mãe está a chegar. Esta é apenas mais uma boa opção.

Classificação: 80/100

terça-feira, 1 de maio de 2012

Harmonias ComProvadas: Arroz de línguas de Bacalhau

A vigésima quarta prova do projecto Harmonias ComProvadas avaliou a harmonização entre vinhos nacionais e Arroz de Línguas de Bacalhau. Esta prova realizou-se no dia 29 de Março no templo do bacalhau, ou seja, n' A Casa do Bacalhau, em Lisboa.

Este é, sem dúvida, um dos projectos recentes mais inovadores que conheço tocando de imediato o plano gastronómico, o vínico e o literário. Alexandra Maciel, mentora e grande força motriz deste projecto, tem como objectivo final a edição de um livro onde possamos rever todas as Harmonias ComProvadas entre comida portuguesa e vinhos nacionais. 
Os participantes em cada harmonia querem-se do mais dispares possível. Desde pessoas ligadas profissionalmente ao vinho ou à gastronomia até àqueles que simplesmente gostam de comer, beber e conhecer mais o que de melhor Portugal tem. O importante não é a cor do vinho e os seus predicados xpto e também não é o prato que o acompanha. A harmonia entre os dois é o ponto a avaliar.
Os copos foram também escolhidos por forma a não existirem, desde logo, ideias pré-concebidas do tipo de vinho ideal para cada prato. O  Schott Zwiesel Sensus Black marca presença e atiça os mais curiosos. Boa escolha.

Os vinhos que, de acordo com os 22 jurados desta prova, melhor acompanharam o delicioso Arroz de Línguas de Bacalhau foram:
1º - Colheita do Sócio Reserva branco 2010
2º - Chão das Rolas tinto 2010
3º - VT' 07

Júri e equipa da prova de harmonização entre arroz de línguas de bacalhau  e vinhos portugueses no restaurante A Casa do Bacalhau:

Ana Henriques, Jornalista do Jornal Público;
Ana Sofia Luís, Técnica de Administração Tributária;
António Falcão, Jornalista;
Carlos Janeiro, Autor do Blog Comer Beber e Lazer;
Eduardo Malé, Artista Plástico;
Eduardo Miragaia, Jornalista e Editor da Epicur;
Helena Ramos, Editora;
Isabel Borges, Professora de Português;
José António Cerejo, Jornalista do Jornal Público;
Luís Costa Guimarães, Engenheiro Químico e Gastrónomo;
Neuza Aires, Técnica Superior de Educação;
Nuno Gonçalo Monteiro, Autor do Blog Magna Casta;
Nuno Sousa Gonçalves, Director Comercial da distribuidora Vinharia;
Pedro Sovela, Gastrónomo e Administrador de Sistemas Informáticos;
Sérgio Antunes, Escanção;
Ricardo Dias Felner, Jornalista da Revista Sábado;
Rui Barradas Pereira, Autor do Blog Reserva Recomendada;
Tânia Sarmento, Editora da Leya;
Teresa Capitão, Estilista;
Teresa Vivas, Directora-Geral da Chef’s Agency;
Virgílio Gomes, Food Writer.

Quanto ao Restaurante A Casa do Bacalhau imponho que lá regresse o quanto antes e desse modo então produzir um post apenas para o próprio. A qualidade gastronómica é evidente, a garrafeira cativa-nos só de a olhar e a sala é acolhedora. Vou querer uma daquelas mesas "à janela".
Mais uma vez os meus parabéns à Alexandra Maciel.

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